domingo, 13 de maio de 2012

mundo


velho mais que a pedra
que um dia derreteu
e tornou-se montanha
terra sempre molhada
sons de ondas na beira
mar que acaricia o litoral
na parte que o sol seca

sábado, 5 de maio de 2012

mar de lua

a concentração
perguntar é buscar
o saber
vivência de aprendizados

sexta-feira, 4 de maio de 2012

olho as horas
pensando que poderia ser mais tarde,
mais chuvoso e frio.
 
poderia ser tão perigoso como vazio.
 
o que não é mais
é o tempo que resta
ao mesmo tempo.
 
é na curva das horas
quando o sol não vê nem buraco negro
que gira e some
 do jeito que lhe cabe
num ponto do universo.

na saída

poderia dizer que vivi
tão assim que nem vale à pena
é a mesma coisa e assim
economizo as letras
fica por isso mesmo
teria enviado palavras
mas elas desmoronaram antes
não sobrou nenhuma
para além de um incômodo
de interrupção
que me faz apenas
deixar de falar

ao menos um dia

dinossauros, sóis, buracos negros, recomeços, pavões, colibris, minerais, vegetais, sonhos e lendas

voo

seguindo em frente
buscando o destino
(ou o futuro nos persegue
e a saudade espreita)

correndo, correndo,

os olhos entre as mãos,
segurando a beira do muro
e mesmo assim quase visível

quinta-feira, 22 de março de 2012

o sangue ferve

de frente pro muro, muito perto
um quadro enorme indefinível
de costas pro abismo, sem saber
a quantos passos exatamente
buscando ver a imagem inteira
quem sabe
a derradeira

quem sabe pular
o muro deserto
decerto ou somente
não há nada além dele
quem sabe?

parede tem dois lados
mas nem sempre um fora
que separa

segunda-feira, 19 de março de 2012

sou contra aplausos, pois matam mosquitos

vidro quebrado
com guitarra
pelo direito de intimidar
prefiro aqui meu lugar:
um palco vazio
onde esqueço os sons
que fiz

e me divirto
brincando de lembrar

folha arrancada nº 02

agora
é assim
vem
e passa

folha arrancada nº 01

começar a escrever,
a palavra na folha
desapego do novo
no caderno
a vivência está no
movimento
da mão e assim
sucessivamente, no
entorno de dentro
e de fora
sonhos, pensamentos
num trecho do
espaço e tempo

quarta-feira, 14 de março de 2012

nesses dias

de cantar
sorrir, chorar
e calar
que vão passar
dias de correrias
dormir, acordar
e cansar

temos que planejar e jogar
mesmo faltando muitas cartas
e algumas das peças certas
ou até esquecendo as regras

ninguém vai lembrar da voz
do riso, das piadas toscas
das cartas marcadas
momentos no escuro
quando vemos os vagalumes

vou pensando assim: [][][][]
as letras brincam
embaralham as ideias que tive
e esqueci

pego o telefone para ligar
torno a colocá-lo no bolso
como quem quer apenas saber das horas

sábado, 18 de fevereiro de 2012

somos um breve instante
fagulha de tempo e espaço

tão fugaz

que buscamos saber
e deixamos de ser

sem terminar a pergunta

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

***

o entendimento vem do cotidiano,
como o alimento dos pássaros,
as vestes de um lírio
que brilham mais que o sol
a estrela que nos brilha
no azul de um infinito da existência
onde está o seu coração
na luz divina

domingo, 25 de dezembro de 2011

jejum

para alguns é oração
para outros
preparação para ir ao rodízio
devorar toda carne
que a alma pode

o mundo é paradoxal mesmo

às vezes ando nas ruas com uma sensação estranha
vendo as pessoas indo e vindo
passando em infinitas histórias e vivências

percebo que todo mundo tem histórias e estórias
contar é de cada um
e ouvir constitui-se numa figura da linguagem
que a muitos faz barulho

orar em silêncio
no silêncio que passou
entre duas teclas
ficando ainda fora
na edição

contar o pensamento
há Deus

infinitas histórias
de um reino
uma praia, um sonho
ou viagem astral

domingo, 20 de novembro de 2011

dia da consciência
jogar capoeira
louvar o mar
que nos trouxe à vida
vindo diretamente de lá
o mar vindo revolto
como sempre nesses momentos
passando a onda unânime
sobre todo aquele cimento

sem luz e sem cidade
como quando queriam
construir belo monte

desolados como os índios ficaram
mas não entendiam direito as mensagens

até quando? até agora?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

quem sabe na próxima

posso faltar ao enterro
por causa da consulta

do trânsito

e esquecer quem morreu

ser enterrado sem ninguém
assim

como o sol nasce
ou quando passamos dias sem vê-lo

sem dizer o nome
se um dia já me conheceu

imagino chegando atrasado (o que não ocorreu)
você já foi, mas foi muito antes
sem apresentações

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

fim de tarde
desse lado da calçada
o sol quase toca o prédio
papel no chão, palpites
palavras que vem
vão passando assim
enquanto olho as horas
e atravesso na faixa
com sinal fechado
olho e me apresso
as palavras ali, no chão
vão sendo pisadas
como dedos em teclas de piano
como assoviamos um samba
ou uma dança

sábado, 15 de outubro de 2011

depois da madrugada
a linha do horizonte traça
outra jornada

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

os pássaros voaram

deixando o corpo
voaram mais
para longe dos pensamentos
para um estado genérico
de transeunte
parecido quando
eu morava
em algum lugar
que não existe
vou mantendo o fio
de uma narração
que nem mesmo o sujeito permaneceu

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

na tribo

ouvindo estórias
ao dormir
o elo com uma narração
recente e reminiscente

ao sonho de amanhã

hoje,
repito, hoje

é minha máquina do tempo

vim do esquecimento
e muitas vezes acordo em silêncio
vindo de um sonho sozinho

de algum lugar vazio

onde sou movimento
alternância entre luz e matéria

sábado, 20 de agosto de 2011

sonho

a feiticeira assoprou
puxou meu ar
eu apontava para um vaso vermelho cheio de ventos
antes de viajar
e sem perceber
já estava no meio
entre as inúmeras viagens que estão acontecendo

terça-feira, 9 de agosto de 2011

*

vou cantar
decantar
por aí

numa nota que denota
um certo tempo
incerto

domingo, 19 de junho de 2011

vejo o caminho
e não sei
se aquela paisagem é a mesma cena autofágica de ciclos ou se estou em outro círculo e as nuvens gelam o céu e meus pensamentos.

penso nas hipóteses e faço um silêncio de saber que só é o que é e procuro aliviar minha alma nesses trajetos.

tenho cortes nas mãos, no rosto
a alma que exala uma claridade
quando passa na trilha
de passos perdidos

quarta-feira, 1 de junho de 2011

*

discurso
diz o curso
das palavras
informação
em forma a
ação que é
moldada

terça-feira, 31 de maio de 2011

tudo bem

se você acredita que é
esse nome que te deram
tudo bem
posso acreditar que sou
o inominável
e de olhos fechados
estou

domingo, 1 de maio de 2011

*

sons e sons e
sons e cantos e
penso e escuto
e sons me
trazem e sons
me levam e sons
e sons

*

não perco tempo
nem página esquecida
fragmento em datas
não lineares
sublábios
multiolhares
sobra & escuridão
orvalho na flor nasce

*

entro no ritmo
pra melhor sair
dele
quando encontro
o par-máquina
vou fazendo o
intervalo
no qual não sou
cobrado nem
entro no seu jogo
mas monto a
resistência e crio
uma narrativa

as máquinas apitam
quando se atrasa, ou
se está muito rápido
elas recortam e
produzem ângulos retos
nas sua antinatureza
e mesmo discordando
dos meus próprios
conceitos que nem
são tão meus assim
entro no jogo e na
sintonia do cosmos
para além da técnica
e também do organismo

*

na multidão as pessoas convertem-se em rótulos
e por mais diferentes que sejam, são iguais

uma ou outra emergem como arquétipos,
como cartas marcadas

na partida que não está finalizada

vou seguindo invisível
como um deus que observa
e com seu olhar as coisas
em si
estão sendo
feitas e são imagens
ambientes de toda matéria

sábado, 30 de abril de 2011

ontem

buscar o natural
quando acontece
não o condicionado
que preestabelece

quinta-feira, 28 de abril de 2011

*

depois do último passo
é quando começa
a possibilidade de voo

segunda-feira, 25 de abril de 2011

*

o trajeto da noite
nos brilhos molhados
espalhados pela rua
silêncio de prece
em cada passo
mais próximo de algum lugar

círculos e elipses
de cristal líquido e cônico

quinta-feira, 14 de abril de 2011

cenas do rio

um monte de cartazes
com mulheres de biquíni
e uma placa indicando:
DENTISTA

sexta-feira, 25 de março de 2011

*

o mundo desencantado
pesadíssimo
como as pálpebras na tarde
de calor e sono

indecentes
minhas linhas
se perdem nos pensamentos
que vão

quinta-feira, 17 de março de 2011

*

ainda que o dia
esteja gritando ali
na beira do chão
do horizonte

casca de ovo que racha
trazendo o sol e sua gema azul

meus sonhos e latidos
estão por aí
a mão babada no meio da trilha
dos sonhos que ocorreram
e do helicóptero que voou

ainda assim

entre anjos e a luz da vela
permanecendo o tempo
de seu corpo parafinado
que leva o silêncio da prece
seguindo e se guiando pelos movimentos celestes

domingo, 13 de março de 2011

o esquecimento é
decrescente quando
nascemos e
crescente até
morrermos

caminho silencioso das
ligações ancestrais

*

as pessoas conversam
enquanto consomem
ou consomem para
conversar?
usando a melhor
pose pra acender
um simples cigarro
madrugada imensa
cheia de possibilidades
como o real é cheio
de centavos

porto de paquetá

algumas palavras
quando não saem pela
boca
permanecem
na forma de oração
dentro da alma
silêncio é ouro
a sabedoria é na ação

*

tem um momento
em que perco as contas
pelas quais me guiei
por tanto tempo

é um colar
que o destino sela
sem as contas

fechando-se em espiral
ralo no infinito
quando releio
não mais acredito
mas reconheço
as manchas do pensamento
e sigo brotando o suor
deixando que seque pelo caminho
labirinto de palavras
que tornam a surgir
quando não mais acreditava

*

pq pensar exige
destreza
levar o mundo
de letra
enquanto avista
esquecer
quando em vez
e manter
de forma interneuronal
o movimento centrífugo
e a paisagem centrípeta

*

as pessoas passando em grupos. eu sem animais viro o cenário de pensamentos toscos enquanto bebo água sentado na beira sem laptop ou cartão de crédito, mas o principal é um celular muderno. quando escrevo à mão fico viajando na solidão de um louco que o céu observa

fine art

tempo é dinheiro
arte é tempo

um se acumula
outro se esvai

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

com trocê e contra o vê

a mensagem não era vazia
continha um espaço

com trocê e contra o vê

e num espaço tem movimento
onde reside a matéria

com trocê e contra o vê

e juntando matéria com movimento
não se perde espaço

com trocê e contra o vê

e avoou, avoou
trocentas palavras nos dedos

com trocê e contra o vê

e é beira-mar, é beira-mar
duzentas focas no ar

com trocê e contra o vê

sete sete são catorze
com mais sete vinteum

com trocê e contra o vê

sete dias na semana
o sol não falta nenhum

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

*

o vento balança teu desenho
que de imagem passa a som
e chega ao meu pensamento

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

fora de área

pego o telefone
olho a agenda
últimas discadas
não tenho mensagens

todos meus amigos
na ilha deserta
eu no bucho da metrópole
dentro de casa

crédito que expira
nesta cidade

todos meus amigos
na ilha deserta
eu no bucho da metrópole
dentro de casa

pego o telefone
olho a agenda
últimas discadas
não tenho mensagens

crédito que expira
fora de área

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

só sendo

venho dizer coisas diferentes
das que se ouve
por aí

as palavras são as mesmas
mas a minha voz
é essa

pra entender o santo
não há outra forma,
só sendo

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

*

o vento move as folhas
levanta e gira a poeira
que hão de retornar ao solo
é a vida
as folhas secam e a terra molha
não olho pro espelho
e digou que vou embora
sem despedidas
se aproximar da memória
é tocar o lago
dissolvendo as imagens
de dentro pra fora

*

estas palavras
não serão as últimas
ditas, cantadas
ou só pensadas
enquanto for assim
e estiver aqui
ando na memória
pra fora do tempo
através da vela (no quarto)
na madrugada
enquanto for assim
e estiver aqui
estas palavras
tantas vezes usadas
escritas e apagadas
evaporam na calma
enquanto for assim
e estiver aqui
o que significam
nessa trajetória
palavras singelas
e sem volta?
enquanto for assim
e estiver aqui

*

nesse caminho
eu te digo
amanhece
o sol brilha na montanha
pessoas correm
pra todos lados
eu percebo, entendo
e vou calado
não há nada pra dizer
nem quem queira escutar
os ponteiros marcam
o outro lado

página 15

"à medida que meu horizonte
se alarga
as imagens que me cercam
parecem desenhar-se
sobre um fundo uniforme
e tornar-se indiferentes
pra mim."

capoeira

o jogador que faz parte da
capoeira e não o inverso.
nos movimentos centrípetos
acontecendo desequilíbrios
para a transformação,
capoeiras executam signos,
fundamentos centrífugos.
nesse processo surge a
representação do todo
exterior e as modificações
engendradas pelos jogadores
na roda, no cosmos da vida

*

tudo passa
e o que vejo
vai
acontecendo
nas superfícies
do corpo
(nasce
a representação)

o que pensar?
a partir
dali e daqui

o universo subsiste
além do detalhe
apagado no quadro

*

movimento
agir e esperar
nos estímulos
imagens no mundo
somos
por toda parte
julguei ver
surgir no espaço
um papel
sentimento e sensação
surge e some
automática
rigorosamente passa
nas aparências

11/01/11

céu azul
noite estrelada
que clareia
sonhos em pensamentos
vou no movimento
enquanto muitos
correm e não
alcançam
outros param
e não observam
estou aqui
atento ao mundo
ao grão de areia
num segundo
todos na multidão
cada qual uma
forma de solidão
alguns são silêncio
ao nascer e pôr
do sol
outros cantam de suas celas
criando paisagens
para aqueles tantos
que de fora apenas
observam
quando penso assim
sobre o mundo
abstraio a janela
no instante
em que saio
e a chuva cai
da sua maneira

*

no movimento da cidade
da idade
que não temos
medos pra esquecer
luzes que apagamos
ao sair

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

*

o silêncio inserido em
cada palavra articulada
consonância com
pensamentos
que mudam
de forma

tocam o lago
desfazendo o espelho d'água
no instante em que falo

tentando captar
este movimento
com minha voz
ondulatória
vibratória
ítens esquecidos no registro
dissonante

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

poema liso (blues do dasein)

o início do mês
o fim da grana
sigo firme rumo aos outros 25 dias
seguro a barra, torço a roupa molhada
boto pra secar
e o que será vai ser mesmo
dentro ou fora do script
a vida é pra amadores
cordas pra trocar
sons pra cantar
no silêncio infinito

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

com essa poesia

ardendo os olhos
dedo na ferida

*

os dedos gastos
na passagem
trovejando ao longe
ao perto
uma vez mais
minha alma paira
no esquecimento
que surge quando em vez
em sonho

sábado, 27 de novembro de 2010

*

sem sono

e sem as palavras

que
tanto querem se colocar no lugar da ação
quase materializadas, palavras-coisas
sem sono eu caminho pela escuridão
tateando letras que se fazem escritas
letras, letrinhas, uma sopa de sentidos

os 3 sons da madrugada, baques de ferro
as lágrimas que secam
olhos ardem
e tudo vai passar

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

olhar

alguns momentos
não sei se sou porto ou barco
se vou se estou
indo, não há voltas
nem chegar

tem isso que vemos
uma vela acesa ainda

tem isso em que cremos
lembranças e pensamentos

tem o que esquecemos
por isso sonhos não tem peso

*

quando sou terra
me banho de chuva
secando ao vento
para voar
ou sendo alimento de planta
num tempo incontável
pra ficar
em impermanências
a paisagem é a mesma
nas imagens e edições
únicas que somos

*

decidi pisar na trilha
seguir a história
que ela conta

uma fada pousou em mim
e voou

me pergunto das minhas asas
em imaginação plano
há um horizonte

pois quando rompe o casulo
é pq não dá mais
se expande e o vento seca
torna leve

sem perceber já no ar

*

choro, sonho
não lembro
esquecendo de esquecer
memória
escombros e ruínas
que um dia foram cuidadas
permanecem mais que as pessoas

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

abraço cósmico

vou me endireitando o quanto posso. pensando dentro de ônibus, na velocidade da janela mais que do pé do motorista. um ano se passou. cheguei aqui como num frio, chorei e vivi perdido. admito que foi bem difícil, mas é bom estar aqui nesse exato momento olhando essa vista que a distinta caminhada trouxe. vou trampando de telemarketing, o estivador do século XXI, mas também no morro da urca, viajando nos turistas mais do que eles na paisagem do pão-de-açucar. inscrito numa pesquisa acadêmica e estudando arte no meio da natureza.

também é estranho estar aqui, a cada dia mais longe sem sair de mim. nesse tudo-que-passou-passou-e-nem-sei-se-continuou, pois tudo que um dia foi já é

aqui vi na prática o valor de uma guitarra numa cozinha na madrugada. não há melhor tempero para um vinho e um silêncio

tudo é gesto e nesse outro que desenvonvo antes da escrita, do pensamento, da verbalização, eu mexendo as mãos no ar em frente a uma tela sem razão. mas é o que está escrito.

um ano de rio

dessa janela sozinho
olhar a cidade me acalma
estrela vulgar a vagar
rio e também posso chorar


daqui eu sempre vi o colibri
a sua gota de água regou meu jardim

a capoeira não me deixa perder de mim.
cada vez mais eu percebo isso. salve jorge

gritam gol, do mengo. 23:06h
batem nas portas de ferro dessa quarta-feira

conheci: jomjom, marrytza & felipe, mariobands
e a macacada da mata atlântica. tem a matilha da urca, dois com mãos machucadas, um com o pé e um sem rabo, por causa dos fios elétricos

tenho saudades e nisso pesa quem inventou esta palavra
que a lingua portuguesa resumiu
lembro de mcluham nesse instante e o poder do meio na estruturação da linguagem, das mensagens
com axé, com ian, com dendê, com tupi e também jê


e celeste é e se foi
pro céu
eu aqui me pergunto
quem verei?

nas voltas do mundo
quero ir e voltar
num jogo

nisso eu percebo a constância
como o ritmo no som

vejo um projeto
tomo duas que restaram
ganhei vários rapés

se se pode escolher, é melhor arte
mas testemunhar, narrar e transmitir
são deveres de salomão

materializar fotografias
entre inúmeras que sempre vejo

um abraço cósmico
me faz vivo aqui
estou por inteiro
janeflorfadafolha

sol-estrela-dente-de-leão
que ainda flutua

livre como antes do florescer

é fé a vontade
uma prática diária

constante
como o som da cachoeira
até quando ninguém parece ouvir

demora muitos anos pra uma coisa surgir do dia pra noite
cada dia cada dia

***

terça-feira, 26 de outubro de 2010

*

sugado pelo vazio
na respiração que sai
água que vem afogando
quando o fôlego vai

na puxada trazendo mais água

Canto XVI

O Destino dos insensatos


Fala Krishna:

1. Valor, sinceridade, perseverança na yoga do conhecimento, benevolência, domínio de si mesmo, devoção, estudo dos livros sagrados, austeridade, retidão,

2. mansidão, veracidade, ausência de cólera, abnegação, tranqüilidade de ânimo, ausência de maledicência, compaixão por todos os viventes, impassibilidade diante da tentação, doçura, modéstia, circunspecção,

3. energia, paciência, firmeza, pureza, misericórdia, recato - tais são os dotes daquele que nasceu na condição divina.

4. Hipocrisia, soberba, presunção, ira, insolência e ignorância - tais são, filho de Prithâ, as qualidades daquele que nasceu na condição demoníaca.

5. A qualidade divina conduz à libertação; a demoníaca leva à escravidão. Mas não temas, filho de Prithâ, tu nasceste na condição divina.

6. Neste mundo há duas linhagens de seres: a divina e a demoníaca. A divina foi longamente descrita por mim; escuta agora, filho de Prithâ, o que é a demoníaca.

7. Os homens de condição demoníaca não sabem o que se deve e o que não se deve fazer; neles não se encontra a pureza, nem boa conduta, nem veracidade.

8. "No Universo", dizem eles, "não há verdade, nem base moral, nem Deus. Seu desenvolvimento não obedece a um plano ordenado; é produto da união sexual. Não tem outra causa além da sensualidade".

9. Baseados nessas idéias, esses homens, de alma perdida, de fraco entendimento e de atos brutais, aparecem como inimigos nascidos para ruína do gênero humano.

10. Escravos de desejos insaciáveis, dissimulados, arrogantes e orgulhosos, o erro os induz a noções falsas em todos atos de suas vidas agem movidos por desígnios impuros.

11. Aferrado à sua perene idéia de que tudo acaba com a morte, persuadidos de que o bem supremo consiste na satisfação de seus desejos e que tudo se resume nisso;

12. aprisionados por centenas de cadeias de expectativas, deixando-se arrastar por seus desejos e paixões, procuram, apelando a meios ilícitos, acumular riquezas para satisfazer seus apetites desordenados.

13. "Isto", dizem, "adquiri hoje, satisfiz tal desejo; amanhã terei muito mais.

14. Matei este inimigo, assim também me livrarei dos outros. Sou senhor dos homens, saboreio prazeres, sou rico, poderoso e feliz;

15. Sou privilegiado e de berço nobre. Quem pode se igualar a mim? Oferecerei sacrifícios, distribuirei esmolas, gozarei a vida". Enganados por sua insensatez,

16. dispersos por uma multidão de pensamentos, presos nas malhas da ilusão e entregues aos prazeres sensuais, terminam caindo no inferno de seus próprios vícios.

17. Imbuídos de si mesmos, obstinados, orgulhosos e posuídos pela embriaguez das riquezas, oferecem hipócritamente sacrifícios vãos, por mera ostentação, sem ater-se às prescrições do ritual.

18. Egoístas, violentos, vaidosos, lascivos e coléricos esses maledicentes Me odeiam em seu próprio corpo e no corpo alheio.

19. Mas esses homens cheios de ódio, cruéis, impuros, escória da humanidade, Eu os condeno perpétuamente às misérias da vida transmigratória, atirando-os em matrizes demoníacas.

20. Caídos em tais matrizes demoníacas, submergindo gradualmente no erro, de geração em geração, sem nunca alcançar-Me, esses infelizes vão caindo até a condição mais baixa.

21. São três as portas do inferno e todas elas são causa de perdição para a alma: luxúria, avareza e ira. Por isso é preciso fugir delas.

22. O homem que consegue escapar destas três portas das trevas, filho de Kuntî cultiva sua própria salvação, alcançando assim a meta suprema.

23. Mas aquele que, desdenhando os preceitos das escrituras, se entrega aos impulsos do desejo, não alcança nem a perfeição, nem a felicidade, nem a meta suprema.

24. Faze pois, com que os livros sagrados sejam tua norma na determinação do que se deve e do que não se deve fazer. Conhecendo as regras das escrituras, age neste mundo de acordo com elas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Arcano 19



O Arcano 19 está relacionado ao Nascimento, aos aspectos Superiores ou Solares de nossas existências e buscas!

Um convite para que cada qual faça brilhar, cintilar a própria Estrela!

É a inspiração do SER! Os anelos espirituais, o impulso do Pai para o trabalho interno. Que se faz presente e se amplia em cada filho obediente!

Também destaca-se a figura das crianças, que representam as Essências que deverão ser libertadas dos defeitos psicológicos.

A nudez significa a pureza, assim devemos trabalhar para nos purificar de todos os maus pensamentos e impulsos inferiores, resgatando as Essências aprisionadas no ego e voltarmos ao Pai como crianças.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

57 e 14 (a guitarra)

Falar do meu pai é uma coisa preciosa e resolvi escrever sobre algumas imagens que me surgem em homenagem do seu aniversário, hoje. Gosto muito dele e me sinto feliz por suas lições e convívio que se transformou em diversas épocas. Uma coisa que muito marcou foi ele ter me dado uma guitarra no dia de seu aniversário, eu tava muito precisando de uma e procurando encontrar. Aliás, para lembrar disso que eu estou tocando com ela agora, no Rio de Janeiro, antiga capital federal, enquanto ele mais moderno está na atual, talvez eu seja mais retrô, rsrs, brincadeira.

Escrevendo agora nesse blog eu lembro que meu pai em sua profissão me proporcionou o contato com a escrita da informática numa era pré internet. Para mim ele está na antecipação disso tudo. Com seus ensinamentos, tudo isso se adaptou em comportamentos e ações. A idade da guitarra, do que ele me ensinou e tudo o que em imagem e sons posso aprender. Me ensinou a amizade. Com ela e a música, fiz muitos amigos, mesmo sendo às vezes um tanto misantropo, ou talvez extemporaneamente apenas um típico habitante do ciberspaço.

Morei bastante tempo em São Luís do Maranhão, sua terra natal, que é onde também estabeleci como minha terra natal mais forte que em São Paulo, onde nasci e vivi os 7 primeiros anos, mas ainda tenho e terei muitas pessoas queridas por lá e que se espalham por todo lugar. No Rio completarei um ano este mês. É legal ver essa mobilidade nos espaços e virtualidades, mas rolam também muitas saudades e falar do meu pai me faz falar do meu filho, a quem eu estou buscando contribuir com minha essência mais pura, como meu pai é e tem sido, mesmo morando em cidades diferentes com todos desafios para vencer e melhorar, estou procurando trabalhar e estudar sempre e com isso poder mostrar um caminho verdadeiro.

Além disso, aprendi nessa vida a seguir adiante, que as lágrimas invariavelmente irão secar para além das ausências e que um novo dia vai sempre surgir, aliás é nisso que se encontra a beleza da natureza.

Falar deles todos e da beleza me faz também lembrar do feminino, suas fases e a ancestralidade. Sincronicamente tenho alguns exemplos no presente momento: minha mãe se encontra em mais um ritornelo pelo interior de São Paulo; a minha namorada em outro, passando em Canindé, cidade natal de seu pai, que por sinal, nasceu no mesmo dia que eu. Ela com mais parentes esteve no festejo de Sao Francisco de Assis que é também o padroeiro da Fraternidade Colibri, na qual eu encontrei minha unidade cósmica; ainda a mãe do meu filho se prepara para uma viagem a dois países na África.

Minha ancestralidade também é uma passagem por este mundo, talvez outros planetas e graus. Este feminino que eu louvo na inspiração do divino é musa, é mulher, é anciã assim como menina e tem suas diferentes fases as quais procuro aprender e respeitar. No momento eu percebo que vivo mais uma transformação nessa complementaridade da minha essência.

Outra imagem: lembro que com nossos pais íamos os três filhos, quase trigêmeos tamanha a proximidade (e sem ritalina naquela época) pro Sítio da Vó Victória, um lugar imaginário atualmente, nas palavras do meu irmão, que esteve lá onde existia com sua ancestral plaquinha Fazenda Lageado 1914 sobre a porta de entrada. Tenho ainda sobrinhos dos dois irmãos mais velhos. Temos mais dois irmãos adolescentes que não chegamos a conviver nas mesmas peripécias. Tenho algumas histórias pra contar e talvez não tivesse. Aprendi com meu pai que é muito bom continuar e também recomeçar, ciclos e ciclos.

Meu pai sempre gostou de escrever, e o jeito que ele é e sua forma de pensar em muito contribuíram e contribuem para minha vida em todas as variações (e que são pertinentes a uma trajetória) e eu o admiro mais ainda agora. Eu penso tanto com palavras quanto com sons, a partir do seu incentivo no campo da música, local onde tive um aprendizado da subjetividade e do universo.

Aprendendo a pescar I - Fui ano passado quando ainda morava na ilha com ele e meu filho pescar e isso foi muito legal no campo cósmico da amizade. Também foram dias nos quais estava a traçar meus atuais caminhos de estudos, sobre o qual conversamos uma manhã na praia, entre alguns dias festivos. de lá pra cá muitas coisas alternaram. Foi para meu pai que liguei primeiramente quando passei na prova, como homenagem e também em reconhecimento ao seu constante incentivo. Constatação: os tempos mudam. O primeiro peixe que pesquei foi um lambari no Tietê e o do meu filho foi uma tilápia no Wang Park. Destarte, algumas coisas são fundamentais, como estar junto e compartilhar um aprendizado.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

pra que serve um gato

pra que serve um grito
na calçada, na calma, pé descalço
no silêncio embarcando súbito
uma nau que partiu
sorriu, acabou em prantos
navegou nas lágrimas e descobriu
o interior no fundo a correnteza
por onde o rio segue
a chuva desçe e vai
e assim por diante
cada dia, uns menos ou mais
enfim
é isso que vamos
poderia nem falar disso, mas
enfim, é isso mesmo
não é clássico, nem muito lírico
transcendência, tocando teclas de um notebook
numa sala vazia
o desenho seco no chão
natureza na mesa, quase certeza
e a fruteira é muito bonita
como era e sempre foi a arte
narrando a sensação de não haver palavras

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

finalmente na vila

desenhando, pintando-vendo-secar e fazendo sons. dia corrido, vimos o abstracionismo esta manhã no parque lage, e eu desconstruindo meu pensamento, numa constante remodelação ou (desmodelação?). dizem que não é tiroteio em madureira, mas uma exibição de tropa de elite 2 em 3D, realidade pura. tá frio mas não tanto. vi a expo de arte islâmica no ccbb. massa! tem um gráfico que mostra como surgem os padrôes de 5, de 7 e de 10 pontas tornando-se mandalas, geometrias. livros de avicena e todos aqueles astrolábios e instrumentos para estudo, tapetes com imagens mirantes, moedas, instrumentos musicais, livros feitos à mão, todo tipo de arte como uma integração das técnicas (escultura, arquitetura, música, caligrafia, etc). coisas do século VII (ou VIII?) até os dias atuais. quando saí os mendigos nas ruas da presidente vargas. se fizerem o teste de carbono neles são puro dinos. lendo muniz sodré, sobre mestre bimba. hoje vi pela primeira vez o caminho de bus pro parque lage (não tava estudando pra provas & mais provas) e identifiquei uns grafites massa pra fotografar antes que acabem
coisa estranha que eu vi hj: não lembro
realmente estou esvaziando a mente, para novos inserimentos e processos construtivos

terça-feira, 12 de outubro de 2010

*

morrer é entrar no banho quente no inverno
nascer é desligar o chuveiro e se enxugar

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

variação sobre uma jam

hey joe o que você foi fazer no maranhão
hey josé de ribamar
ó que horizonte belo
de se refletir
hey josé de ribamar
I'm goin' way down south
way down where I can be free
ain't no one gonna find me baby
eu jamais te esquecerei
são luís do maranhão
lá lá laiá lá lá laiá
lá-láá-lá-lá-láá

o colibri toma conta do jardim

hoje amanheci
dei bom dia ao dia
fiz as coisas em silêncio
e andei pelas ruas, paguei contas
fiz um almoço, parte de outro almoço
e que ainda continuou numa janta
vi um colibri vir tomar água na janela
quando tocava calix bento
e eu passava apressado
para um próximo momento
bem no ponto onde termina uma jornada
inicia outra
e assim sucessivamente
o colibri vai de flor em flor
sabendo disso instintivamente
e sua atitude gera a primavera florida
sem que ninguém perceba

sábado, 2 de outubro de 2010

sol e água

duas coisas que podem desenvolver ou acabar com uma planta
de acordo com a quantidade